Dieta saudável se aprende na escola

FotoPara advogada do Instituto Alana, instituições devem proteger estudantes da publicidade infantil e oferecer opções para uma alimentação balanceada

A escola deve ser um lugar de promoção de hábitos saudáveis, inclusive os alimentares. Em entrevista ao Prêmio Jovem Cientista, a advogada do Instituto Alana e conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Ekaterine Karageorgiadis, fala sobre a oferta de alimentos saudáveis nas instituições de ensino e os perigos de se permitir a publicidade de alimentos dentro do ambiente escolar.

A alimentação das crianças nas escolas, em geral, não é saudável. As cantinas vendem alimentos industrializados e com alto teor de gordura, sal e açúcar. Há alguma lei responsável pela regulação da alimentação oferecida nas escolas?
Ekaterine Karageorgiadis – Para se ter uma ideia da relevância desse tema, a Consumers International, que reúne 240 entidades de defesa do consumidor do mundo inteiro, entre elas o Instituto Alana, lançou este ano uma campanha para comemorar o dia do consumidor, celebrado em 15 de março, cujo tema são as dietas saudáveis. Entre os destaques da campanha está a oferta de alimentos saudáveis nas escolas, que vem sendo objeto de leis em diversos países, como Chile, Peru e Uruguai. No Brasil, dois aspectos devem ser abordados. O primeiro é o da alimentação escolar fornecida nas escolas públicas, e o outro é a venda de alimentos em cantinas de escolas públicas e particulares.

O Brasil tem uma política nacional de alimentação escolar que é referência para vários países. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem foco na valorização de uma alimentação adequada, tanto sob o aspecto nutricional quanto socioambiental e cultural, além de ser uma importante ferramenta para a educação alimentar. Valoriza o preparo de refeições utilizando alimentos naturais, provenientes da agricultura familiar, que respeitem a diversidade de culturas alimentares do país e as necessidades alimentares específicas dos estudantes.

É interessante notar a mudança histórica no objetivo da alimentação escolar. No início, quase 50 anos atrás, o intuito era diminuir as altas taxas de desnutrição infantil no país. Hoje, o principal desafio é reverter o crescimento das taxas de obesidade. Segundo dados da FAO do ano passado, o Brasil saiu do mapa da fome. Isso não significa que o problema da desnutrição esteja completamente sanado e que não tenhamos pessoas abaixo do peso e da estatura ideal. Mas, a saída do mapa da fome indica que o percentual da população nessa situação é menor que 5%. Nossas preocupações se voltam agora para as pessoas obesas. Mais de 50% da população adulta está acima do peso. Entre crianças de 5 a 9 anos, há 30% com excesso de peso. Dados de pesquisas recentes revelam que 2,4% do PIB do Brasil (100 bilhões de reais) são gastos com as consequências da obesidade, seja tratamento médico ou perda de produtividade no trabalho.

Uma alimentação escolar de qualidade, portanto, contribui para a melhoria da saúde dos estudantes, que vêm apresentando cada vez mais cedo doenças como diabetes, pressão alta e complicações renais. Por isso, a política prevê uma restrição na aquisição de alimentos enlatados, embutidos, doces, preparações semiprontas ou prontas para o consumo e valoriza a aquisição de alimentos preparados na própria escola, com proporções adequadas de calorias e nutrientes.


Todas as escolas da rede pública participam do PNAE?
Ekaterine – O PNAE é um repasse de verba federal para estados e municípios que aderem ao sistema. Logo, é preciso que a política estadual e municipal também esteja sintonizada com a promoção de uma alimentação adequada e saudável para os estudantes. E, nessa seara, há uma diversidade muito grande de políticas e legislações municipais, que precisam estar atentas à promoção do direito humano à alimentação adequada, estabelecido em nossa Constituição Federal.

Aí entra o segundo ponto, o das cantinas escolares.

Fonte: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/04/dieta-saudavel-se-aprende-na-escola.html


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