Dieta enganosa

FotoEstudo revela que adoçantes artificiais não calóricos podem aumentar teores de glicose no sangue e que a expectativa de emagrecer ou engordar depende em
grande parte da microbiota do indivíduo, cuja composição se mostrou alterada com o uso desses produtos.



Por: Franklin Rumjanek

Já comentamos anteriormente na Ciência Hoje que o número de bactérias normalmente abrigadas pelo corpo humano supera em pelo menos 10
vezes o número de células que compõem seus diferentes tecidos e órgãos. Assim, tomando apenas o aspecto quantitativo, temos uma natureza mais
bacteriana que humana. Entretanto, os taxonomistas, que levam em consideração os caracteres anatômicos macroscópicos, não têm dificuldade em
classificar um indivíduo saudável, no qual as bactérias permanecem restritas ao sistema digestório, como pertencente à espécie Homo sapiens.
Descobertas recentes vão nos forçar a revisar conceitos tradicionais e finalmente aceitar que até o estilo
de vida de um indivíduo, com suas dietas e hábitos, tem muito mais envolvimento com a flora
intestinal do que supúnhamos
Já sabíamos que esses comensais têm um papel fisiológico em nossas vidas, já que são os responsáveis pela síntese das vitaminas B e K, além de
auxiliarem na digestão de ácidos biliares e esteróis. O que talvez seja novidade é a importância crescente que a microbiota exibe em relação a muitos
outros parâmetros fisiológicos. Descobertas recentes vão nos forçar a revisar conceitos tradicionais e finalmente aceitar que até o estilo de vida de um
indivíduo, com suas dietas e hábitos, tem muito mais envolvimento com a flora intestinal do que supúnhamos.
A composição da microbiota, por exemplo, é considerada um fator que predispõe à chamada síndrome metabólica. Indivíduos com essa síndrome têm
pelo menos três das seguintes anomalias: obesidade abdominal, pressão alta, glicose elevada, alta taxa de triglicerídeos e níveis baixos do colesterol
‘bom’ (HDL). Outra situação ligada à microbiota envolve os adoçantes artificiais não calóricos (AANC), como sacarina, sucralose e aspartame.
Consumidos por milhões de pessoas, eles são classificados de não calóricos por não sofrer metabolização: passam intactos pelo sistema digestório e são
excretados. Em trabalho recentemente publicado online
na revista Nature, Jotham Suez e colegas apresentaram resultados impressionantes,
revelando que a expectativa de emagrecer ou engordar depende em grande parte da microbiota.

Para começar, os AANC induziram rapidamente (em horas) intolerância à glicose, isto é, produziram níveis aumentados de glicose sanguínea
semelhantes aos encontrados em diabéticos. Os AANC também modificaram a própria composição da microbiota – vale lembrar que a dieta age como
fator seletivo das bactérias intestinais e que, dependendo da população prevalente, a obesidade pode ser uma consequência.
O grupo também mostrou que antibióticos podem abolir as alterações metabólicas induzidas pela microbiota e que o transplante desta para outros
animais reproduzia neles o quadro dos animais doadores.
Adoçantes engordam
Esses resultados foram obtidos em camundongos, mas foi possível estabelecer uma ponte com humanos por meio da pesquisa de hábitos nutricionais
em 381 indivíduos não diabéticos. Nesse grupo, foram encontradas várias correlações positivas entre o uso desses adoçantes e aspectos como ganho de
peso, medidas de obesidade abdominal, altos níveis de glicose sanguínea e outros. Destaquese
aqui o resultado que aponta que, para certas populações,
o consumo de adoçantes engorda!
As bactérias vão além: afetam a resposta do corpo ao tratamento médico
As bactérias, no entanto, vão além: afetam a resposta do corpo ao tratamento médico. Em 2013, trabalho publicado na revista Science por Sophie
Viaud e colegas mostrou que a ciclofosfamida, droga que estimula respostas imunes antitumorais usada na quimioterapia do câncer, age alterando a
composição da microbiota de modo análogo ao descrito acima para os AANC

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2014/320/dieta-enganosa


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